Nos dias atuais as principais angustias
que assombram as mães e que venho escutando freqüentemente em meu consultório,
são: “Tenho muito medo que meu filho não tenha limites, que ele faça escândalos
no mercado ou no shopping”. “Tenho medo que meu filho fique cada vez mais violento
e seja um desses casos que mata os próprios pais”. “Será que meu filho vai ficar mais calmo e tranqüilo algum
dia? Ele não para um segundo”. “Tenho medo que meu filho fique cada vez mais
violento e sem limites, ele tem apenas um ano de idade e já me bate e não
aceita quando o proíbo.”
A atualidade nos oferece uma enxurrada de
novas tecnologias que demandam toda nossa atenção, os celulares que já exercem
todas as funções de um computador, seus milhares de aplicativos, os tablets, a
própria televisão, tudo nos transborda com milhares de informações e
ferramentas que podemos usar no dia a dia, e que aparecem como meios de nos
favoreceram uma vida dinâmica com facilidades e comodismos.
Mas será que toda essa tecnologia apenas
nos trás ganhos? Qual será a relação entre as queixas das mães com relação ao
desenvolvimento tecnológico?
Minha resposta seria, existe sim uma
relação importantíssima e que não pode se deixada de lado. O fato da tecnologia
demandar nossa atenção total, faz com que deixemos de gastar tempo de qualidade
com as relações humanas, é muito comum hoje em dia vermos mães segurando seus
bebês ao mesmo tempo em que mechem em seus aparelhos celulares, pais que deixam
seus bebês e filhos na frente da TV como forma de ganharem mais tempo para
poderem brincar com seus brinquedinhos eletrônicos.
O excesso de novas tecnologias acelera
nossa mente que vive em busca de inovações e de cada vez mais informações, no
entanto, impedem nosso relaxamento e desligamento para que possamos usufruir da
relações de proximidade com o outro, de afeto e de trocas emocionais.
O fato da mulher ter entrado intensamente
no mercado de trabalho e de termos
nos afastado de nossa família nuclear, também trazem questões a serem pensadas.
Quando a mulher engravida e tem seu bebê, sua mente não mais fica focalizada no
bebê, ela agora tem um emprego que a preocupa e divide sua atenção, as avós estão
mais distantes ou também trabalhando, e a mulher acaba perdendo uma fonte de
apoio muito importante. Claro que esta não é sua única fonte de apoio pois, a
mulher neste momento sensível de pós-parto, deve contar com total apoio do
marido, familiares e profissionais da saúde para dar conta de tantas
modificações emocionais e aprendizados sobre a maternidade.
Com todas essas mudanças sociais e
tecnológicas, fica claro de onde vem as preocupações das mães em relação a seus
filhos pois, a tecnologia, o trabalho e a falta de apoio nos afasta da
convivência de qualidade com nossos filhos, temos que dar conta de milhares de
tarefas que muitas vezes nos consomem.
Desta forma nossos filhos(as) estão sim
adoecendo mais, eles estão ficando hiperativos, violentos, birrentos, choram
por qualquer frustração, gritam, esperneiam, batem, demandam tudo com rapidez,
já que a TV, os jogos e os vídeo-games os fazem desenvolver uma mentalidade
extremamente agitada e confusa.
Tudo devido ao excesso de informações, de
inovações tecnológicas, à falta de apoio, a concorrência com o mercado de
trabalho, à falta de contato visual, de tranqüilidade, de calma e de tempo de
qualidade, os pais não têm mais tempo e paciência para conversar, brincar,
olhar nos olhos, oferecer carinho, e tentar traduzir o que os filhos estão
sentindo, pois tudo está acontecendo de forma extremamente acelerada.
Levanto aqui questões a serem refletidas
pois, mudanças sociais, inovações tecnológicas trazem conseqüências ao
desenvolvimento sadio do ser humano e devemos a todo momento levar em conta em
que ambiente estamos vivendo e em que ambiente estamos educando nossos filhos.
Para você a atualidade trás quais
diferenças comparadas a sua infância? O que você tenta dar a seus filhos, que você não teve quando
criança? Quais serão as conseqüências dessas diferenças de criação e de
ambiente?





