terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A gravidez e o marido!



    Como falado na semana passada durante a gravidez a mulher pode se afastar do marido ou do próprio pai, a relação com outras mulheres se torna mais necessária, como meio de compartilhar experiências, medos e aflições.
     De acordo com algumas mulheres a gestação é um período em que o marido vira um receptáculo de sentimentos de raiva, mas para outras o marido pode gerar sentimentos de muito afeto, isto irá depender de cada mulher e da relação de cada uma com seus respectivos pais.
   De qualquer forma, neste momento o homem deixa de ser olhado por suas características de companheiro para ser visto a cerca de suas aptidões paternas, a mulher passa a se apaixonar pelas qualidades de um bom pai, no companheiro.
     Junto a esta mudança de visão há também uma certa diminuição do desejo sexual, o que é natural e pode ser vivido de forma tranqüila se o companheiro tiver a sensibilidade e o esforço de conhecer a linguagem e sentimentos que advêm da maternidade.
    De forma geral há uma diminuição na mulher sobre a ênfase na dinâmica sexual, na agressividade, na competição e na dominação, enquanto vêem à tona os sentimentos de cuidado, cooperação, e criatividade.
    Existe o conhecimento geral de que todos nós somos produtos da triangulação mãe, pai e filho(a),  mas esta triangulação muda de geração quando a filha engravida e se torna mãe. Agora a triangulação será você, seu companheiro e seu bebê que está a caminho.
    Esta nova triangulação trás a história da mãe junto a do companheiro, portanto há uma junção entre as histórias familiares que dará base a vida do bebê, portanto conversar com o companheiro sobre como ele foi criado, quais são suas concepções de educação e cuidado são o início de uma discussão a cerca do que o casal deseja para criar seu bebê.
   As discussões podem gerar felicidade, ao mesmo tempo em que podem gerar angustia devido as diferenças dos modos de pensar, mas quando se abre a porta para discussão há a possibilidade de transformação e conseqüentemente da busca por um ideal comum que de adéqüe as necessidades do bebê e do casal.
   Portanto conversar é a base para que o casal permaneça unido, tanto o homem quanto a mulher devem descrever as mudanças que estão percebendo, o que os frustram, o que desejam, quais são suas fantasias para chegada do bebê e quais são suas esperanças.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O nascimento de uma Mãe


   Como uma mãe nasce? Você já se perguntou isso? É muito fácil pensarmos no nascimento de um bebê, mas e a mãe, será que todas as mulheres já nascem mães, ou será algo que se desenvolve ao longo da vida?
   De acordo com o conhecimento psicológico, uma mãe tem que nascer  psicologicamente do mesmo modo que o bebê nasce fisicamente, ou seja, a mãe nasce na mente de uma mulher pois, muitas mudanças devem ocorrer no seu interno (física e mentalmente) para que um bebê nasça.
   É por isso que o bebê demora nove meses para nascer, para dar tempo do feto de formar e para dar tempo da mulher trabalhar e mudar sua mente até formar uma mente materna, este trabalho se prolonga até semanas ou meses apos o bebê nascer, já que depois do nascimento a mulher deve se adequar e aprender como cuidar de seu bebê.
   A mulher formula um novo repertório de sentimentos e comportamentos e durante semanas, meses ou anos este novo repertório, ou como chamarei aqui, mente materna irá prevalecer sob o antigo funcionamento individual de cada mulher.
   Após o nascimento do bebê a mente materna permanece em formação, sendo necessário que este estado ela domine, de modo que a mulher foca apenas em seu bebê, deixando de lado outros aspectos de sua vida, só assim a mulher consegue manter um relacionamento forte com seu bebê a fim de identificar suas necessidades a fim de satisfazer-las.
   Quando se tem um bebê a mente materna irá determinar, por certo período de tempo, o que se irá pensar sobre, seus medos, suas esperanças e suas fantasias. Esta experiência irá redirecionar a preferências e prazeres da mulher, seus valores, seus sentimentos e ações, de modo que seus relacionamentos poderão sofrer mudanças, a mulher poderá reavaliar suas amizades e necessitará redefinir seu papel na família.
   Mas será que esta nova organização mental permanecerá para o resto da vida da mulher? Ela se manterá ocupando o foco da mente da mulher para sempre?
   A resposta para estas perguntas é subjetiva a cada mulher, cada mulher funciona de um modo, de forma que a mente materna pode prevalecer durante semanas, meses, anos ou eternamente na mente de cada mulher.
   De certa forma a mente materna não desaparece, mas permanece “guardada” na mente da mulher e pode voltar a dominar sempre que necessário, seja com a vinda de outro bebê, seja nos momentos em que a criança está doente ou em perigo. No momento em que a mulher volta a pensar sobre voltar a trabalhar e coloca outras prioridades em sua vida, pode-se dizer que a mente materna recuou.
Iremos  refletir sobre as mudanças que a mulher sofre em sua mente ao longo da gestação e puerpério.        
    Ao longo das semanas apresentarei algumas mudanças.
    Mande sua opinião e dúvidas, todas serão respondidas com a ajuda de diversos profissionais.

sábado, 8 de setembro de 2012

Elogios e Críticas



     Você se lembra de momentos em que recebeu um elogio de seus pais? Elogios como: que lindo, está fantástico, bom(a) menina, você é extremamente inteligente. Ou de quando você fez algo de errado e seus pais o(a) criticaram usando termos julgativos?  Criticas como: que burrice, você não consegue mesmo fazer isto, está horrível, você não entende nada.
    Como já citado nos artigos Educar sem Culpa, criticar ou elogiar diretamente as crianças é bom, mas não o suficiente para auxiliar no desenvolvimento da auto-confiança e autonomia delas.
Muitos pais conseguem imediatamente, após a ação dos filhos, dizer: “adorei isto”, ou “não gostei”, “você é bom(a) menino(a)”, ou “você foi um(a) mal(á) menino(a)”. E como será que isso reflete nas crianças?
Ao receber um elogio, por exemplo, uma criança quebra um copo e quando sua mãe descobre e pergunta irritada quem foi o culpado, a criança ainda que com medo admite que foi ela quem quebrou. Imediatamente a mãe se aproxima e diz: “filho você é um bom menino, honesto e verdadeiro”.
Ao julgar que a criança é honesta, esta reflete sobre esta qualidade e se lembra que em alguns momentos não foi honesta, isto a deixa inquieta, angustiada pois, ela deseja que a mãe saiba que não é verdade que ela é sempre honesta. Por isso a criança poderá querer demonstrar que ela não é honesta o tempo todo, e faça algo de errado, ou minta para mãe em outra situação, exatamente para demonstrar isso, que ela não é um anjo.
Deste modo vemos como o julgamento, mesmo que positivo pode gerar angústia na criança e conseqüentemente gerar comportamentos ruins na tentativa de demonstrar algo a seus pais.
Mas se neste exemplo a mãe tivesse apenas descrito o que aconteceu, o resultado poderia ser outro. Se a mãe dissesse: “filho vejo como foi difícil você me dizer a verdade, vendo que eu estava tão brava”. Após este comentário provavelmente a criança se sentirá satisfeita com a descrição e em outro episódio semelhante ela poderá dizer a verdade novamente, ou poderá antes mesmo da mãe descobrir, contar a ela que quebrou um copo pois, ela aprendeu que dizer a verdade foi aceito e reconhecido pela sua família, de modo que manter este comportamento passa a ser importante para criança e não gera angústias.
E a crítica? Como esta faz a criança se sentir? Vamos ver outro exemplo.
Uma criança não consegue fazer a lição de casa e responde as questões todas erradas, quando seu pai olha seu caderno para ver se o filho fez a lição e vê todas as respostas erradas, ele diz: “Nossa, isto aqui está horrível, você não sabe nada”.
Isto gera desconforto na criança, ela se sente triste e incapaz, e na próxima lição que ela tiver que fazer seu sentimento poderá ser, já que eu não sei de nada, não irei nem tentar, pois não tentar indica que não irei me frustrar caso não consiga fazer. Uma criança com este tipo de pensamento, acaba tendo baixa auto-estima, insegurança e não consegue se engajar em atividades novas por achar que nunca será capaz.
Porém se o pai tivesse descrito o que viu, a criança poderia se desenvolver diferente. Se o pai dissesse: “Filho estou vendo seu caderno e as respostas estão erradas, parece que você tentou, mas teve dificuldade em fazer esta lição”.
Esta descrição permite que o filho relate sua dificuldade e tenha esta dificuldade reconhecida pelo seu pai, a partir do reconhecimento é possível planejar uma resolução. A criança poderá se sentir segura para então pedir ajuda a alguém, ou até se sentir segura para tentar fazer a lição novamente, ou seja, ela se sentirá capaz para tentar, ao mesmo tempo que terá um auto conhecimento sobre sua dificuldade, sabendo assim que terá que se esforçar mais para aprender a matéria.
Além da descrição permitir que as crianças desenvolvam suas capacidades, ela também possibilita que a autonomia delas se desenvolvam pois, a descrição favorece que a criança continue fazendo suas experiências por si mesma, já que ela passa a se conhecer a partir do olhar dos pais.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Depressão Pós-Parto




Uma das doenças que mais acomete as mulheres que acabaram de ter bebê é a Depressão Pós-Parto, esta patologia decorre de diversos fatores que ainda estão sendo estudados.
        De acordo com estes estudo a Depressão Pós-Parto pode acontecer devido ao decurso da gravidez, ao parto, a idade da mulher, ao tipo de relacionamento com a mãe, ao temperamento do bebê, a saúde física dele, ao relacionamento conjugal e ao apoio social e familiar.
     No pós-parto a relação conjugal sofre algumas modificações, pelo fato da mãe ter que focar no bebê, a relação com o companheiro fica mais distante, sofrendo até uma diminuição ou interrompimento das relações sexuais.
      Mas mesmo sofrendo um distanciamento o relacionamento não deve cessar pois, o apoio e presença do conjugue é fundamental para que a mulher se sinta protegida e cuidada neste período que ela deve dar conta de cuidar e reconhecer as necessidades do bebê. Tanto que o afastamento do companheiro é um fator que pode influenciar no desenvolvimento da Depressão Pós-arto.
   Mulheres que sofreram de depressão durante a gravidez tem também maior probabilidade de sofrerem de Depressão Pós-Parto, o uso de álcool e outras substâncias tóxicas também podem influenciar, junto as condições socioeconômicas, ao nível de suporte social e problemas relacionais. Ter um bebê diferente daquele imaginado ou doente pode também interferir.
  Os sintomas mais comuns são: irritabilidade, choro freqüente, sentimentos de desamparo e desesperança, falta de energia e motivação, desinteresse sexual, transtornos alimentares e do sono, sensação de ser incapaz de lidar com novas situações, bem como queixas psicossomáticas. Este sintomas surgem geralmente entre a quarta e a oitava semana após o parto, atingindo entre 10 a 15% das mulheres nos primeiros 2/3 meses do pós-parto, podendo persistir, em até 70% das mães, durante pelo menos os 6 primeiros meses de vida do bebê.
   Se você tiver estes sintomas tanto na gestação quanto no pós-parto é necessário buscar a ajuda de profissionais como Psiquiatras e Psicólogos pois, este estado pode impossibilitar o cuidado do bebê podendo chegar até a agressão física.
   Deste modo fica claro como a Depressão pós-parto é uma doença séria e deve ser tratada o mais rápido possível para que não hajam conseqüências sérias.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Das últimas semanas ao parto, e as necessidades do bebê.



As últimas semanas antes do parto são repletas de angustias e inseguranças, a mulher começa a refletir sobre o parto, imaginar como será, se ela vai sentir muita dor, se suportará a dor, se haverá complicações, se os médicos e enfermeiras serão competentes, como será o bebê, se nascerá perfeito, se terá cabelo, se irá chorar, se ela dará conta de ser mãe, se será uma boa mãe, etc....
São muitas questões a serem refletidas e medos a serem suportados. O alívio pode aparecer se a comunicação destes medos e inseguranças puderem ser efetuadas. Conversar com a mãe e amigas para saber como foram o parto delas, relatar ao marido os medos que aparecem, ou até com um profissional que possa acolher tantas angustias.
Com a aproximação do parto a mulher saudável começa a entrar em um estado muito específico deste momento, um estado de extra sensibilidade em que a mulher torna possível que o mundo externo pause, deixe de ter importância, para que seu bebê passe a tomar toda importância e atenção dela.
Ou seja, a mulher  terá olhos apenas para seu bebê e não poderá ou não terá espaço para outras coisas, este estado sensível e específico dura até os primeiros meses de vida do bebê, e é ele que permite que a mãe ofereça os cuidados necessários à criança.
Você já percebeu como as mães conseguem distinguir os diferentes choros de seu bebê? Como ela consegue dizer se o que ele(a) necessita é trocar a fralda, se alimentar ou frio?
É este estado que possibilita que a mãe identifique e conheça as necessidades do bebê pois, só deste modo ela poderá prover aquilo que seu filho(a) necessita para se desenvolver. É como se esta mãe relembrasse que algum dia já foi um bebê de necessidades e por esta identificação consegue estar sensível as necessidades de seu bebê.
Psiquicamente o bebê necessita de diversos cuidados para se desenvolver sadiamente, pontuarei alguns deles aqui.
A primeira necessidade psíquica que o bebê possui é a continência, o bebê precisa sentir que há uma ou mais pessoas cuidando dele e que estas pessoas podem decifrar sua forma de comunicação que nesta fase tão precoce é efetuada apenas pelo choro e gritos.
Outra necessidade psíquica é do bebê sentir que está sendo segurado de forma firme e confiável pelo cuidador(a) pois, se o bebê é segurado de forma solta e sem proteção ele se sente desprotegido e angustiado.
A manipulação é outra função materna que vai ao encontro da necessidade do bebê, o(a) cuidador(a) deve cuidar do corpo do bebê, dando banho, o trocando e alimentando de forma tranqüila, confortável e que passe segurança, para que a criança possa desfrutar da experiência do funcionamento corporal.
Além disso o bebê também precisa que o rosto do(a) cuidador(a) se transforme numa espécie de espelho que transmite aquilo que se sente, ou seja, o sorriso, o olhar atento, a dúvida, o nervosismo, são todos sentimentos que podem ser demonstrados através da expressão facial e que permitem que o bebê se perceba no olhar do outro, favorecendo a integração de sua personalidade.
O(a) cuidador(a) deverá aos poucos apresentar os objetos do mundo ao bebê, esta apresentação deve ser gradual e de acordo com a capacidade do bebê em se relacionar com os objetos, mas em outros momentos a criança necessitará de interdições.
É importante pontuar que a criança se desenvolve não apenas com o oferecimento de objetos e experiências, mas que ela também precisa sofrer interdições e frustrações para obter um desenvolvimento sadio, ou seja, ter regras e limites é extremamente necessário.
Estes são alguns dos cuidados necessários ao desenvolvimento psíquico sadio de uma criança ao ser cuidado por um adulto sadio, em alguns casos a mulher não consegue entrar neste estado específico e não consegue identificar as necessidades do bebê, sendo necessário então um acompanhamento profissional.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Angústias da gestação


                        
   
   Um teste demonstra que você está grávida, e agora? Diversas emoções tomam conta de você, a felicidade, o susto, o medo a angústia.....
   Tanto uma mulher que fica grávida pela primeira vez quanto uma mãe em sua terceira gestação, sentem as mesmas emoções, medos e angústias pois, cada gestação é única.
   Além dos diversos sentimentos a mulher também deve dar conta das mudanças que seu corpo e funcionamento sofrem.  No primeiro trimestre a mãe produz um oceano de hormônios que servem para preparar o corpo para gestação. Esta enxurrada de hormônios gera sonolência, enjôos, oscilação do humor e dor nos seios.
   Em meio a tantas mudanças, sintomas, choros, irritação, sorrisos e preocupação, a mulher fica extremamente sensível necessitando de apoio do companheiro e da família.
   A mulher precisa além de se adequar as modificações de seu corpo, se preparar para ter um novo papel em sua vida, já que ela passará do papel de filha para o de mãe. E quantas dúvidas e angústias esse novo papel trás? Medo de não ser capaz de cuidar do bebê, medo de não ser uma boa mãe, medo de não saber o que o bebê necessitará, medo de não ser a mãe que sempre idealizou em suas brincadeiras quando criança...
   Já no segundo trimestre a mãe começa a sentir o bebê se mexendo, o que trás grande alegria e constatação de que o bebê realmente existe, e assim torna possível  a vinculação com ele.
   Mas sentir o bebê também trás medos pois, o bebê se torna mais real e a mãe se sente mais pressionada a saber ser uma boa mãe. Neste período é comum a gestante se lembrar como  foi cuidada quando bebê, como foi educada e fazer comparações com como ela deseja criar este seu bebê. Junto ao companheiro é o momento de discutir como cada um deseja cuidar do bebê e organizar funções.
   E alguns desconfortos corporais ainda são sentidos, como inchaço, falta de ar, azia e intestino preso.
   Já no terceiro trimestre o corpo vai se preparando para o parto e, gerando dificuldade para dormir, pois a mãe deve se preparar para passar noites acordada, e dores nas costas. Além disso se intensificam os medos,  do parto, se tudo ocorrerá bem, se será parto normal ou cesárea, se irá doer, se a equipe medica será eficiente e cuidadosa, etc...
   Os medos do parto se juntam a ansiedade em saber se a mulher dará conta de cuidar do bebê, se conseguirá amamentar, junto a expectativa de ver o bebê, pegá-lo, checar se ele é perfeito se imaginou.
   Vimos quantas alterações corporais, emocionais e de papel a mulher sofre durante a gestação, por isso é muito importante a presença de um companheiro e da família para conversar sobre estes medos e angústias, e quando estas se mantém intensas a procura de um profissional é necessária.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

A importância da autonomia.


             

   Você lembra de momentos em que você diz: “Filho(a) deixa que a mamãe abre isso para você. ”Filho(a) deixa que a mamãe te ajuda a abotoar a roupa. ”Filho(a) a mamãe faz isso pra você senão você irá fazer uma sujeira.” “A mamãe já colocou sua roupa sobre a cama.”
   Parece que nestas falas, a criança não é capaz de fazer as coisas para ela mesma não é? E como será que uma criança se sente ao escutar estas frases? Será que ela fica confiante e se sente capaz?
   Fazemos e falamos estas frases como um meio de demonstrar que amamos nossas crianças, e que queremos ajudá-las a terem conquistas. Mas acabamos nos esquecendo quão frustradas as crianças podem ficar ao terem tudo feito para elas.
   Pode ser difícil ter a paciência para esperar um criança abrir um pacote de bolacha por exemplo, pode ser difícil ver uma criança se sujar toda ou sair de casa sem todos os botões fechados. Claro, isso trás angustia a qualquer pai, ainda mais nos dias de hoje em que tudo deve ser feito muito rápido já que temos muitos horários a cumprir.
   Mas quando você oferece a oportunidade a seu filho(a) de tentar fazer algo sozinho, você oferece também amor pois, está estimulando a criança a ser um ser humano capaz e sem medo de tentar.
   Veja esta experiência, uma mãe achava que seus filhos não tinham a capacidade de se vestirem, tomarem o café e em seguida pegar seus lanches e materiais para irem a escola. Uma manhã, com muita dificuldade e aperto no coração, ela decidiu deixar o café da manhã e o lanche deles prontos e apenas dizer: “Assim que vocês estiverem prontos me avisem.” E em  seguida ela se retirou.
   Minutos depois os filhos vieram gritando e sorrindo mostrar à mãe que estavam prontos, e ao ver a felicidade deles naquele momento ela deixou de achar importante que eles estivessem com as jaquetas certas ou fechadas de forma correta.
Incentivar a independência e a autonomia das crianças exige muito dos pais, exige esforço, atenção, e mais que tudo exige esforço sentimental, pois o coração aperta e o medo de que a criança não consiga e se decepcione é enorme. Mas quem sabe algumas permissões e experiências não podem fazer você mudar de idéia? Experimente no seu dia-a-dia dar mais chances para as crianças fazerem as coisas por si mesmas.
   E isto independe da idade, até uma criança de 1 ano e meio já pode desenvolver sua independência e autonomia. Veja o caso desta criança a seguir.
   Uma menina de 1 ano e meio sempre que ia sair de casa pedia a mãe que colocasse seus sapatos, até que a mãe decidiu perguntar a filha:”Será que você consegue fazer sozinha? Vamos tentar juntas primeiro?”
   Na primeira tentativa a mãe ficou ao lado apenas relando se estava certo ou não e se a filha estava fazendo um bom trabalho, até que uma semana depois a filha ao querer ir para o jardim disse a mãe:”   Mãe pode deixar que eu mesma coloco o sapato.”  Ao conseguir abriu um grande sorriso e abraçou a mãe. A partir deste dia ela o fez sozinha e tranquilamente, demonstrando um sentimento de segurança em si e capacidade.
   Esta experiência demonstra que a criança tem sim capacidade para fazer as coisas por si mesma, ela precisa apenas do apoio e encorajamento dos pais para que ela se sinta capaz. E no futuro quando esta criança se deparar com coisas diferentes e estranhas ela terá a capacidade de tentar primeiramente sozinha a resolver pois, se sentirá segura a tentar, o que auxilia também o fortalecimento da auto-estima.




quarta-feira, 13 de junho de 2012


                                             Perguntas que afligem.   
   Sabe aquele momento em que seu filho(a) te faz uma pergunta e você não tem a menor idéias de como responder? Ou ele(a) faz perguntas que te deixam com vergonha e você acaba dando respostas curtas e as vezes sem sentido apenas para não falar mais sobre o assunto?
   As perguntas infantis podem trazer angústias aos pais e medo por  estes acharem que devem responder de maneira correta sempre. Mas será que temos todas as respostas? Sabemos sobre tudo? Devemos estar sempre certos?
   As crianças em seu desenvolvimento devem ver os pais como pessoas possuidoras do saber absoluto, isso as faz se sentirem seguras, e isso elas fazem em sua fantasia e sem precisar da ajuda dos pais.Mas chega um momento em que é necessários que os pais demonstrem que isto é apenas uma fantasia e que todos os pais tem seus limites e nem sempre saberão tudo.
   Portanto, falar algo como: “Filho(a) sobre este assunto eu não tenho conhecimento, mas podemos pesquisar juntos” é um meio de demonstrar que você não é um(a) super herói com todas as respostas, ao mesmo tempo que você incentiva seu filho(a) a buscar respostas.
   É fundamental que a criança tenha incentivos em procurar, pesquisar e buscar respostas ou alternativas para resolução de problemas, isso fortalece a autonomia deles.
   Uma outra forma de responder as crianças é devolver a pergunta. Crianças entre 3 e 5 anos ainda tem muita criatividade e fantasia, portanto ao você devolver a pergunta respostas engraçadas surgirão. Mas este meio possibilitará o desenvolvimento do uso do raciocínio da criança.
   Pois, uma criança estimulada a pensar sobre suas dúvidas se desenvolve com maior facilidade para refletir e achar soluções no futuro, ou seja, seu raciocínio é desenvolvido e se torna fácil. Ao contrário de você dar respostas prontas que impedem a criança de raciocinar, a frustram e as fazem perder o interesse.
   Por exemplo, uma criança pergunta a mãe: “Mãe porque o céu é azul? “
   A mãe responde: “Filha está é uma pergunta interessante, o que você acha?”
   Filha: “Acho que o céu é cheio de algodão doce, por isso é azul”
   A resposta da filha pode não ser correta, mas em sua idade talvez ela ainda não tenha a capacidade para compreender a real explicação, portanto continuar em sua fantasia é saudável e a faz praticar o raciocínio, que no futuro se modificará pela obtenção de novas capacidades.
   Um filho perguntou para mãe: “Mãe, dois dos meus amigos virão aqui em casa hoje, você acha que eles vão se dar bem?”
   A mãe respondeu: “Que interessante filho, mas o que você acha que irá acontecer?”
   Filho: “Eu acho que primeiro eles vão brigar e depois vão fazer as pazes.”
   Este tipo de comunicação permitiu que o filho raciocinasse, desenvolvesse sua habilidade de pensar e refletir, ao mesmo tempo que o preparou para coisas futuras que podem vir a acontecer.
   Portanto devolver a pergunta ou estimular seu filho(a) a buscar respostas auxilia a criança a desenvolver sua habilidade de raciocinar e a buscar respostas por si, desenvolvendo assim sua autonomia.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

     Educar sem culpa III
      No artigo passado falamos sobre como agir quando perde-se a paciência, usando novamente a técnica da linguagem descritiva em que se descreve como você se sente naquele momento, seja um sentimento de raiva, ódio, como um sentimento de felicidade.
    Falamos também sobre fazer ameaças, sobre a técnica de dar opções ao invés de ameaçar, dando oportunidade às crianças de desenvolverem sua habilidade de fazer escolhas.
    Agora vamos abordar uma outra situação. E quando quero sair para me divertir com meu parceiro(a) e as crianças choram e pedem para não irmos? Como reagir nesta situação? 
    Nestes casos a linguagem descritiva permite clarear e aceitar os sentimentos da criança: Filho, eu sei que você deseja que nós fiquemos em casa com você, mas nós vamos sair para ver um filme.
    Aceitar os sentimentos das crianças faz com que elas se acalmem, entendam o que estão sentindo e assim colaborem.
    Você já deve ter ouvido de pais em shoppings e parques desvalorizando os sentimentos das crianças, como: Imagina que você está com calor, aqui dentro está frio ou Pare de chorar que este arranhãozinho não dói nada. 
    Estas reações se devem à dificuldade em reconhecer emoções simples das crianças. Elas podem ser modificadas para: Ah então você está sentindo calor e Eu vejo que você se arranhou e as vezes pode doer mesmo. 
    Ao aceitar os sentimentos das crianças permite-se que um vínculo maior se faça, de modo que a criança se sentirá valorizada e amada, pois há alguém que a compreende e respeita.
    Além disso, aceitar e validar os sentimentos das crianças auxilia na sua educação pois, ao poder sentir certo, ela poderá pensar certo e conseqüentemente irá agir certo.
Portanto o sentir é livre, apenas as ações são limitadas.
    Através destas técnicas a relação familiar pode evoluir muito. Um relacionamento onde nem os pais nem os filhos se sentem culpados é mais rica e auxilia no desenvolvimento mútuo.
    Sem culpa e tendo os sentimentos dos pais como o das crianças validados e aceitos tem-se tranqüilidade no relacionamento, no raciocínio e no agir.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Educar sem culpa II

    No primeiro artigo falamos sobre a necessidade de falar com as crianças usando uma linguagem descritiva, que revela não apenas aquilo que a criança faz, mas também o que os pais sentem. Esta técnica, a descrição, permite que as crianças evoluam, buscando soluções para seus problemas.
    E quando se perde a paciência e se tem vontade de gritar e xingar? É natural que os pais percam a paciência em alguns momentos.
    Quando chegamos em casa cansados(as) e queremos tranqüilidade, é muito fácil perder a paciência com as crianças. Frases como Eu não agüento mais... Seus malcriados, parem de correr e gritar agora, antes que eu lhes deixe de castigo que além de qualificar, atacar e ameaçar, provavelmente não funcionaram.
    Mais uma vez a descrição pode auxiliar, mas agora não seria uma descrição do que se vê e sim do que se sente:   Filhos eu estou cansado(a), e chegar em casa e escutar vocês gritando me faz sentir irritado e zangado(a) com vocês. Com isso as crianças não se sentirão menosprezadas ou culpadas e provavelmente atenderão ao pedido, já que a linguagem descritiva não agride a personalidade e permite a mudança.
    Descrever os sentimentos sem insultar faz com que você não se sinta culpado por perder a cabeça e permite que as crianças entendam o que irritam os pais. Assim, cada vez mais, elas irão respeitar esses sentimentos.
    E as ameaças, elas funcionam? Esta tentativa de fazer com que as crianças respeitem as regras normalmente não funciona, a ameaça gera raiva e revolta.
    Uma boa técnica é ao invés de ameaçar dar opções às crianças. Por exemplo, quando uma criança quer brincar com tinta, as opções são dadas: Você pode usar tinta no chão da cozinha ou lá fora, você escolhe.
    Portanto ao invés de ameaçar Se você sujar a casa de tinta vou te colocar de castigo e tomar as tintas de você o que costuma gerar raiva e revolta fazendo com que a criança pegue as tintas e suje algo, a oferta de opções poderia ser usada, trazendo tranqüilidade à relação, além de incentivar a criança a fazer escolhas.
    Até mesmo quando as crianças estão brigando entre elas por algum brinquedo ou videogame, pode-se ao invés de ameaçar, dizer: Eu acredito que vocês consigam achar uma solução justa para todos.
   Assim dá-se credibilidade às crianças, que são aceitas como seres humanos, capazes de entender sentimentos, de achar soluções para seus problemas e de fazer escolhas.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para começar vou postar aqui um artigo por dia com dicas para ajudar os pais na educação e convívio com os filhos. Por favor deixe sua opinião, questão, dúvida ou experiência.

                                                         Educar sem culpa I

   Você algum dia passou por momentos em que estava tão cansado(a), com mil coisas na cabeça para fazer e seus filhos gritando, brigando ao seu lado, fizeram você simplesmente perder a paciência a ponto de gritar com eles?
    Imagino que sim, no mundo contemporâneo em que vivemos, cheio de atribulações, quando devemos ser não apenas pais capazes e presentes, como bons profissionais, a relação familiar acaba sendo prejudicada devido ao cansaço, ao stress e o desgaste emocional.
    Então como posso melhorar essa relação? Como fazer meus filhos entenderem que chego em casa cansado(a) e não tenho paciência para escutar brigas e gritos? Como fazer para eles obedecerem as regras da casa sem discussão?
    O primeiro ponto a se observar é como falo com meus filhos, que tipo de linguagem uso? Se eles me perguntam ou fazem algo, como eu reajo? Normalmente as respostas são qualificativas e julgadoras.
    Vamos ver um exemplo, para clarear: Quando uma criança derrama um copo de suco no chão, a resposta qualificativa seria Ah que menino(a) estabanado(a) derramou tudo no chão, olha que sujeira você fez, você não aprende nunca.
    Esse tipo de linguagem culpa e menospreza a criança por sua falta de controle motor. E quando uma pessoa é acusada sua primeira resposta é se defender, no caso a criança poderia mentir dizendo que não havia sido ela que derramou o suco, gerando assim uma nova grande discussão.
    Mas e se usarmos uma linguagem apenas descritiva, sem qualificações? Poderíamos dizer Vejo que você derramou o suco. E em seguida lhe dar um pano para enxugar. Deste modo você evitar culpar a criança e a incentiva a buscar soluções.
    Assim, uma linguagem descritiva evita a culpabilidade, o menosprezo e evita discussões. A descrição liberta a criança para buscar as soluções dos seus problemas.
    Nos momentos agradáveis a descrição também é bem vinda. Se uma criança lhe mostra um desenho que acabou de fazer, ao invés de dizer Que lindo, você é um(a) pintor(a) maravilhoso(a), isto pode fazer com que a criança perca o interesse, pois se já é maravilhoso não há mais nada o que fazer.
    Usando a descrição, você pode dizer: Nossa, vejo uma borboleta e uma casa colorida, que me fazem sentir felicidade, a criança se sentirá incentivada a continuar pintando, por perceber que estes desenhos fazem você sentir algo. Uma linguagem descritiva permite que a criança fique solta para evoluir e persistir no que lhe traz prazer.
    A descrição não julga, ela deixa aberta uma janela para a criança desenvolver suas capacidades.