segunda-feira, 28 de maio de 2012

     Educar sem culpa III
      No artigo passado falamos sobre como agir quando perde-se a paciência, usando novamente a técnica da linguagem descritiva em que se descreve como você se sente naquele momento, seja um sentimento de raiva, ódio, como um sentimento de felicidade.
    Falamos também sobre fazer ameaças, sobre a técnica de dar opções ao invés de ameaçar, dando oportunidade às crianças de desenvolverem sua habilidade de fazer escolhas.
    Agora vamos abordar uma outra situação. E quando quero sair para me divertir com meu parceiro(a) e as crianças choram e pedem para não irmos? Como reagir nesta situação? 
    Nestes casos a linguagem descritiva permite clarear e aceitar os sentimentos da criança: Filho, eu sei que você deseja que nós fiquemos em casa com você, mas nós vamos sair para ver um filme.
    Aceitar os sentimentos das crianças faz com que elas se acalmem, entendam o que estão sentindo e assim colaborem.
    Você já deve ter ouvido de pais em shoppings e parques desvalorizando os sentimentos das crianças, como: Imagina que você está com calor, aqui dentro está frio ou Pare de chorar que este arranhãozinho não dói nada. 
    Estas reações se devem à dificuldade em reconhecer emoções simples das crianças. Elas podem ser modificadas para: Ah então você está sentindo calor e Eu vejo que você se arranhou e as vezes pode doer mesmo. 
    Ao aceitar os sentimentos das crianças permite-se que um vínculo maior se faça, de modo que a criança se sentirá valorizada e amada, pois há alguém que a compreende e respeita.
    Além disso, aceitar e validar os sentimentos das crianças auxilia na sua educação pois, ao poder sentir certo, ela poderá pensar certo e conseqüentemente irá agir certo.
Portanto o sentir é livre, apenas as ações são limitadas.
    Através destas técnicas a relação familiar pode evoluir muito. Um relacionamento onde nem os pais nem os filhos se sentem culpados é mais rica e auxilia no desenvolvimento mútuo.
    Sem culpa e tendo os sentimentos dos pais como o das crianças validados e aceitos tem-se tranqüilidade no relacionamento, no raciocínio e no agir.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Educar sem culpa II

    No primeiro artigo falamos sobre a necessidade de falar com as crianças usando uma linguagem descritiva, que revela não apenas aquilo que a criança faz, mas também o que os pais sentem. Esta técnica, a descrição, permite que as crianças evoluam, buscando soluções para seus problemas.
    E quando se perde a paciência e se tem vontade de gritar e xingar? É natural que os pais percam a paciência em alguns momentos.
    Quando chegamos em casa cansados(as) e queremos tranqüilidade, é muito fácil perder a paciência com as crianças. Frases como Eu não agüento mais... Seus malcriados, parem de correr e gritar agora, antes que eu lhes deixe de castigo que além de qualificar, atacar e ameaçar, provavelmente não funcionaram.
    Mais uma vez a descrição pode auxiliar, mas agora não seria uma descrição do que se vê e sim do que se sente:   Filhos eu estou cansado(a), e chegar em casa e escutar vocês gritando me faz sentir irritado e zangado(a) com vocês. Com isso as crianças não se sentirão menosprezadas ou culpadas e provavelmente atenderão ao pedido, já que a linguagem descritiva não agride a personalidade e permite a mudança.
    Descrever os sentimentos sem insultar faz com que você não se sinta culpado por perder a cabeça e permite que as crianças entendam o que irritam os pais. Assim, cada vez mais, elas irão respeitar esses sentimentos.
    E as ameaças, elas funcionam? Esta tentativa de fazer com que as crianças respeitem as regras normalmente não funciona, a ameaça gera raiva e revolta.
    Uma boa técnica é ao invés de ameaçar dar opções às crianças. Por exemplo, quando uma criança quer brincar com tinta, as opções são dadas: Você pode usar tinta no chão da cozinha ou lá fora, você escolhe.
    Portanto ao invés de ameaçar Se você sujar a casa de tinta vou te colocar de castigo e tomar as tintas de você o que costuma gerar raiva e revolta fazendo com que a criança pegue as tintas e suje algo, a oferta de opções poderia ser usada, trazendo tranqüilidade à relação, além de incentivar a criança a fazer escolhas.
    Até mesmo quando as crianças estão brigando entre elas por algum brinquedo ou videogame, pode-se ao invés de ameaçar, dizer: Eu acredito que vocês consigam achar uma solução justa para todos.
   Assim dá-se credibilidade às crianças, que são aceitas como seres humanos, capazes de entender sentimentos, de achar soluções para seus problemas e de fazer escolhas.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para começar vou postar aqui um artigo por dia com dicas para ajudar os pais na educação e convívio com os filhos. Por favor deixe sua opinião, questão, dúvida ou experiência.

                                                         Educar sem culpa I

   Você algum dia passou por momentos em que estava tão cansado(a), com mil coisas na cabeça para fazer e seus filhos gritando, brigando ao seu lado, fizeram você simplesmente perder a paciência a ponto de gritar com eles?
    Imagino que sim, no mundo contemporâneo em que vivemos, cheio de atribulações, quando devemos ser não apenas pais capazes e presentes, como bons profissionais, a relação familiar acaba sendo prejudicada devido ao cansaço, ao stress e o desgaste emocional.
    Então como posso melhorar essa relação? Como fazer meus filhos entenderem que chego em casa cansado(a) e não tenho paciência para escutar brigas e gritos? Como fazer para eles obedecerem as regras da casa sem discussão?
    O primeiro ponto a se observar é como falo com meus filhos, que tipo de linguagem uso? Se eles me perguntam ou fazem algo, como eu reajo? Normalmente as respostas são qualificativas e julgadoras.
    Vamos ver um exemplo, para clarear: Quando uma criança derrama um copo de suco no chão, a resposta qualificativa seria Ah que menino(a) estabanado(a) derramou tudo no chão, olha que sujeira você fez, você não aprende nunca.
    Esse tipo de linguagem culpa e menospreza a criança por sua falta de controle motor. E quando uma pessoa é acusada sua primeira resposta é se defender, no caso a criança poderia mentir dizendo que não havia sido ela que derramou o suco, gerando assim uma nova grande discussão.
    Mas e se usarmos uma linguagem apenas descritiva, sem qualificações? Poderíamos dizer Vejo que você derramou o suco. E em seguida lhe dar um pano para enxugar. Deste modo você evitar culpar a criança e a incentiva a buscar soluções.
    Assim, uma linguagem descritiva evita a culpabilidade, o menosprezo e evita discussões. A descrição liberta a criança para buscar as soluções dos seus problemas.
    Nos momentos agradáveis a descrição também é bem vinda. Se uma criança lhe mostra um desenho que acabou de fazer, ao invés de dizer Que lindo, você é um(a) pintor(a) maravilhoso(a), isto pode fazer com que a criança perca o interesse, pois se já é maravilhoso não há mais nada o que fazer.
    Usando a descrição, você pode dizer: Nossa, vejo uma borboleta e uma casa colorida, que me fazem sentir felicidade, a criança se sentirá incentivada a continuar pintando, por perceber que estes desenhos fazem você sentir algo. Uma linguagem descritiva permite que a criança fique solta para evoluir e persistir no que lhe traz prazer.
    A descrição não julga, ela deixa aberta uma janela para a criança desenvolver suas capacidades.