quarta-feira, 11 de julho de 2012

Das últimas semanas ao parto, e as necessidades do bebê.



As últimas semanas antes do parto são repletas de angustias e inseguranças, a mulher começa a refletir sobre o parto, imaginar como será, se ela vai sentir muita dor, se suportará a dor, se haverá complicações, se os médicos e enfermeiras serão competentes, como será o bebê, se nascerá perfeito, se terá cabelo, se irá chorar, se ela dará conta de ser mãe, se será uma boa mãe, etc....
São muitas questões a serem refletidas e medos a serem suportados. O alívio pode aparecer se a comunicação destes medos e inseguranças puderem ser efetuadas. Conversar com a mãe e amigas para saber como foram o parto delas, relatar ao marido os medos que aparecem, ou até com um profissional que possa acolher tantas angustias.
Com a aproximação do parto a mulher saudável começa a entrar em um estado muito específico deste momento, um estado de extra sensibilidade em que a mulher torna possível que o mundo externo pause, deixe de ter importância, para que seu bebê passe a tomar toda importância e atenção dela.
Ou seja, a mulher  terá olhos apenas para seu bebê e não poderá ou não terá espaço para outras coisas, este estado sensível e específico dura até os primeiros meses de vida do bebê, e é ele que permite que a mãe ofereça os cuidados necessários à criança.
Você já percebeu como as mães conseguem distinguir os diferentes choros de seu bebê? Como ela consegue dizer se o que ele(a) necessita é trocar a fralda, se alimentar ou frio?
É este estado que possibilita que a mãe identifique e conheça as necessidades do bebê pois, só deste modo ela poderá prover aquilo que seu filho(a) necessita para se desenvolver. É como se esta mãe relembrasse que algum dia já foi um bebê de necessidades e por esta identificação consegue estar sensível as necessidades de seu bebê.
Psiquicamente o bebê necessita de diversos cuidados para se desenvolver sadiamente, pontuarei alguns deles aqui.
A primeira necessidade psíquica que o bebê possui é a continência, o bebê precisa sentir que há uma ou mais pessoas cuidando dele e que estas pessoas podem decifrar sua forma de comunicação que nesta fase tão precoce é efetuada apenas pelo choro e gritos.
Outra necessidade psíquica é do bebê sentir que está sendo segurado de forma firme e confiável pelo cuidador(a) pois, se o bebê é segurado de forma solta e sem proteção ele se sente desprotegido e angustiado.
A manipulação é outra função materna que vai ao encontro da necessidade do bebê, o(a) cuidador(a) deve cuidar do corpo do bebê, dando banho, o trocando e alimentando de forma tranqüila, confortável e que passe segurança, para que a criança possa desfrutar da experiência do funcionamento corporal.
Além disso o bebê também precisa que o rosto do(a) cuidador(a) se transforme numa espécie de espelho que transmite aquilo que se sente, ou seja, o sorriso, o olhar atento, a dúvida, o nervosismo, são todos sentimentos que podem ser demonstrados através da expressão facial e que permitem que o bebê se perceba no olhar do outro, favorecendo a integração de sua personalidade.
O(a) cuidador(a) deverá aos poucos apresentar os objetos do mundo ao bebê, esta apresentação deve ser gradual e de acordo com a capacidade do bebê em se relacionar com os objetos, mas em outros momentos a criança necessitará de interdições.
É importante pontuar que a criança se desenvolve não apenas com o oferecimento de objetos e experiências, mas que ela também precisa sofrer interdições e frustrações para obter um desenvolvimento sadio, ou seja, ter regras e limites é extremamente necessário.
Estes são alguns dos cuidados necessários ao desenvolvimento psíquico sadio de uma criança ao ser cuidado por um adulto sadio, em alguns casos a mulher não consegue entrar neste estado específico e não consegue identificar as necessidades do bebê, sendo necessário então um acompanhamento profissional.

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