As últimas semanas antes do
parto são repletas de angustias e inseguranças, a mulher começa a refletir sobre
o parto, imaginar como será, se ela vai sentir muita dor, se suportará a dor,
se haverá complicações, se os médicos e enfermeiras serão competentes, como
será o bebê, se nascerá perfeito, se terá cabelo, se irá chorar, se ela dará
conta de ser mãe, se será uma boa mãe, etc....
São muitas questões a serem
refletidas e medos a serem suportados. O alívio pode aparecer se a comunicação
destes medos e inseguranças puderem ser efetuadas. Conversar com a mãe e amigas
para saber como foram o parto delas, relatar ao marido os medos que aparecem,
ou até com um profissional que possa acolher tantas angustias.
Com a aproximação do parto a
mulher saudável começa a entrar em um estado muito específico deste momento, um
estado de extra sensibilidade em que a mulher torna possível que o mundo
externo pause, deixe de ter importância, para que seu bebê passe a tomar toda
importância e atenção dela.
Ou seja, a mulher terá olhos apenas para seu bebê e não
poderá ou não terá espaço para outras coisas, este estado sensível e específico
dura até os primeiros meses de vida do bebê, e é ele que permite que a mãe
ofereça os cuidados necessários à criança.
Você já percebeu como as mães
conseguem distinguir os diferentes choros de seu bebê? Como ela consegue dizer
se o que ele(a) necessita é trocar a fralda, se alimentar ou frio?
É este estado que possibilita
que a mãe identifique e conheça as necessidades do bebê pois, só deste modo ela
poderá prover aquilo que seu filho(a) necessita para se desenvolver. É como se
esta mãe relembrasse que algum dia já foi um bebê de necessidades e por esta
identificação consegue estar sensível as necessidades de seu bebê.
Psiquicamente o bebê
necessita de diversos cuidados para se desenvolver sadiamente, pontuarei alguns
deles aqui.
A primeira necessidade
psíquica que o bebê possui é a continência, o bebê precisa sentir que há uma ou
mais pessoas cuidando dele e que estas pessoas podem decifrar sua forma de
comunicação que nesta fase tão precoce é efetuada apenas pelo choro e gritos.
Outra necessidade psíquica é
do bebê sentir que está sendo segurado de forma firme e confiável pelo
cuidador(a) pois, se o bebê é segurado de forma solta e sem proteção ele se
sente desprotegido e angustiado.
A manipulação é outra função
materna que vai ao encontro da necessidade do bebê, o(a) cuidador(a) deve
cuidar do corpo do bebê, dando banho, o trocando e alimentando de forma
tranqüila, confortável e que passe segurança, para que a criança possa
desfrutar da experiência do funcionamento corporal.
Além disso o bebê também
precisa que o rosto do(a) cuidador(a) se transforme numa espécie de espelho que
transmite aquilo que se sente, ou seja, o sorriso, o olhar atento, a dúvida, o
nervosismo, são todos sentimentos que podem ser demonstrados através da
expressão facial e que permitem que o bebê se perceba no olhar do outro,
favorecendo a integração de sua personalidade.
O(a) cuidador(a) deverá aos
poucos apresentar os objetos do mundo ao bebê, esta apresentação deve ser
gradual e de acordo com a capacidade do bebê em se relacionar com os objetos,
mas em outros momentos a criança necessitará de interdições.
É importante pontuar que a
criança se desenvolve não apenas com o oferecimento de objetos e experiências,
mas que ela também precisa sofrer interdições e frustrações para obter um
desenvolvimento sadio, ou seja, ter regras e limites é extremamente necessário.
Estes são alguns dos cuidados
necessários ao desenvolvimento psíquico sadio de uma criança ao ser cuidado por
um adulto sadio, em alguns casos a mulher não consegue entrar neste estado
específico e não consegue identificar as necessidades do bebê, sendo necessário
então um acompanhamento profissional.
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