Como
já citado nos artigos Educar sem Culpa, criticar
ou elogiar diretamente as crianças é bom, mas não o suficiente para auxiliar no
desenvolvimento da auto-confiança e autonomia delas.
Muitos pais conseguem
imediatamente, após a ação dos filhos, dizer: “adorei isto”, ou “não gostei”, “você
é bom(a) menino(a)”, ou “você foi um(a) mal(á) menino(a)”. E como será que isso
reflete nas crianças?
Ao receber um elogio, por
exemplo, uma criança quebra um copo e quando sua mãe descobre e pergunta
irritada quem foi o culpado, a criança ainda que com medo admite que foi ela
quem quebrou. Imediatamente a mãe se aproxima e diz: “filho você é um bom
menino, honesto e verdadeiro”.
Ao julgar que a criança é
honesta, esta reflete sobre esta qualidade e se lembra que em alguns momentos
não foi honesta, isto a deixa inquieta, angustiada pois, ela deseja que a mãe
saiba que não é verdade que ela é sempre honesta. Por isso a criança poderá
querer demonstrar que ela não é honesta o tempo todo, e faça algo de errado, ou
minta para mãe em outra situação, exatamente para demonstrar isso, que ela não
é um anjo.
Deste modo vemos como o
julgamento, mesmo que positivo pode gerar angústia na criança e
conseqüentemente gerar comportamentos ruins na tentativa de demonstrar algo a
seus pais.
Mas se neste exemplo a mãe
tivesse apenas descrito o que aconteceu, o resultado poderia ser outro. Se a mãe
dissesse: “filho vejo como foi difícil você me dizer a verdade, vendo que eu
estava tão brava”. Após este comentário provavelmente a criança se sentirá
satisfeita com a descrição e em outro episódio semelhante ela poderá dizer a
verdade novamente, ou poderá antes mesmo da mãe descobrir, contar a ela que quebrou
um copo pois, ela aprendeu que dizer a verdade foi aceito e reconhecido pela
sua família, de modo que manter este comportamento passa a ser importante para
criança e não gera angústias.
E a crítica? Como esta faz a
criança se sentir? Vamos ver outro exemplo.
Uma criança não consegue
fazer a lição de casa e responde as questões todas erradas, quando seu pai olha
seu caderno para ver se o filho fez a lição e vê todas as respostas erradas,
ele diz: “Nossa, isto aqui está horrível, você não sabe nada”.
Isto gera desconforto na
criança, ela se sente triste e incapaz, e na próxima lição que ela tiver que
fazer seu sentimento poderá ser, já que eu não sei de nada, não irei nem
tentar, pois não tentar indica que não irei me frustrar caso não consiga fazer.
Uma criança com este tipo de pensamento, acaba tendo baixa auto-estima,
insegurança e não consegue se engajar em atividades novas por achar que nunca
será capaz.
Porém se o pai tivesse
descrito o que viu, a criança poderia se desenvolver diferente. Se o pai
dissesse: “Filho estou vendo seu caderno e as respostas estão erradas, parece
que você tentou, mas teve dificuldade em fazer esta lição”.
Esta descrição permite que o
filho relate sua dificuldade e tenha esta dificuldade reconhecida pelo seu pai,
a partir do reconhecimento é possível planejar uma resolução. A criança poderá
se sentir segura para então pedir ajuda a alguém, ou até se sentir segura para
tentar fazer a lição novamente, ou seja, ela se sentirá capaz para tentar, ao
mesmo tempo que terá um auto conhecimento sobre sua dificuldade, sabendo assim
que terá que se esforçar mais para aprender a matéria.
Além da descrição permitir
que as crianças desenvolvam suas capacidades, ela também possibilita que a autonomia
delas se desenvolvam pois, a descrição favorece que a criança continue fazendo
suas experiências por si mesma, já que ela passa a se conhecer a partir do
olhar dos pais.