sábado, 8 de setembro de 2012

Elogios e Críticas



     Você se lembra de momentos em que recebeu um elogio de seus pais? Elogios como: que lindo, está fantástico, bom(a) menina, você é extremamente inteligente. Ou de quando você fez algo de errado e seus pais o(a) criticaram usando termos julgativos?  Criticas como: que burrice, você não consegue mesmo fazer isto, está horrível, você não entende nada.
    Como já citado nos artigos Educar sem Culpa, criticar ou elogiar diretamente as crianças é bom, mas não o suficiente para auxiliar no desenvolvimento da auto-confiança e autonomia delas.
Muitos pais conseguem imediatamente, após a ação dos filhos, dizer: “adorei isto”, ou “não gostei”, “você é bom(a) menino(a)”, ou “você foi um(a) mal(á) menino(a)”. E como será que isso reflete nas crianças?
Ao receber um elogio, por exemplo, uma criança quebra um copo e quando sua mãe descobre e pergunta irritada quem foi o culpado, a criança ainda que com medo admite que foi ela quem quebrou. Imediatamente a mãe se aproxima e diz: “filho você é um bom menino, honesto e verdadeiro”.
Ao julgar que a criança é honesta, esta reflete sobre esta qualidade e se lembra que em alguns momentos não foi honesta, isto a deixa inquieta, angustiada pois, ela deseja que a mãe saiba que não é verdade que ela é sempre honesta. Por isso a criança poderá querer demonstrar que ela não é honesta o tempo todo, e faça algo de errado, ou minta para mãe em outra situação, exatamente para demonstrar isso, que ela não é um anjo.
Deste modo vemos como o julgamento, mesmo que positivo pode gerar angústia na criança e conseqüentemente gerar comportamentos ruins na tentativa de demonstrar algo a seus pais.
Mas se neste exemplo a mãe tivesse apenas descrito o que aconteceu, o resultado poderia ser outro. Se a mãe dissesse: “filho vejo como foi difícil você me dizer a verdade, vendo que eu estava tão brava”. Após este comentário provavelmente a criança se sentirá satisfeita com a descrição e em outro episódio semelhante ela poderá dizer a verdade novamente, ou poderá antes mesmo da mãe descobrir, contar a ela que quebrou um copo pois, ela aprendeu que dizer a verdade foi aceito e reconhecido pela sua família, de modo que manter este comportamento passa a ser importante para criança e não gera angústias.
E a crítica? Como esta faz a criança se sentir? Vamos ver outro exemplo.
Uma criança não consegue fazer a lição de casa e responde as questões todas erradas, quando seu pai olha seu caderno para ver se o filho fez a lição e vê todas as respostas erradas, ele diz: “Nossa, isto aqui está horrível, você não sabe nada”.
Isto gera desconforto na criança, ela se sente triste e incapaz, e na próxima lição que ela tiver que fazer seu sentimento poderá ser, já que eu não sei de nada, não irei nem tentar, pois não tentar indica que não irei me frustrar caso não consiga fazer. Uma criança com este tipo de pensamento, acaba tendo baixa auto-estima, insegurança e não consegue se engajar em atividades novas por achar que nunca será capaz.
Porém se o pai tivesse descrito o que viu, a criança poderia se desenvolver diferente. Se o pai dissesse: “Filho estou vendo seu caderno e as respostas estão erradas, parece que você tentou, mas teve dificuldade em fazer esta lição”.
Esta descrição permite que o filho relate sua dificuldade e tenha esta dificuldade reconhecida pelo seu pai, a partir do reconhecimento é possível planejar uma resolução. A criança poderá se sentir segura para então pedir ajuda a alguém, ou até se sentir segura para tentar fazer a lição novamente, ou seja, ela se sentirá capaz para tentar, ao mesmo tempo que terá um auto conhecimento sobre sua dificuldade, sabendo assim que terá que se esforçar mais para aprender a matéria.
Além da descrição permitir que as crianças desenvolvam suas capacidades, ela também possibilita que a autonomia delas se desenvolvam pois, a descrição favorece que a criança continue fazendo suas experiências por si mesma, já que ela passa a se conhecer a partir do olhar dos pais.